III SEMINÁRIO INTERNACIONAL

DEMOCRACIA, DIREITO E TRABALHO:
IMPLOSÃO SEM DINAMITE

 
 
 

Em 2001, o historiador Nicolau Sevcenko refletiu sobre a passagem para o século XXI valendo-se da metáfora de uma montanha-russa. Cada período histórico foi associado a um trecho do passeio. A virada do século, marcada pela estonteante aceleração tecnológica, correspondeu ao loop. Momento caótico da trajetória, em que se rodopia em torno do nada, com sensação de vertigem. O efeito perverso do loop é a perda da capacidade de reconhecer e criticar o presente, da falta de referenciais de tempo e espaço e da percepção de que tudo é imprevisível, irresistível e incompreensível.

O loop e sua síndrome implicam expansão da desigualdade e da marginalidade, multiplicação das crises, aumento da violência, retração do Estado, falta de solidariedade, declínio do espaço público e da convivência democrática. Em síntese, “capitalismo sem trabalhadores, sem Estado e sem impostos”.

No Brasil, o auge do loop parece remontar às manifestações populares de 2013 e à rápida sucessão de fatos que resultaram em inflexão política. O ritmo e a profundidade das mudanças realizadas desde então, a polarização social e o contexto internacional intensificam a síndrome do loop.

O “antídoto” proposto por Sevcenko contra a alienação e a impotência que se sente neste momento histórico é desacelerar e “julgar criticamente o presente, com sentido histórico e senso de responsabilidade em relação ao futuro”. Responsabilidade esta que se traduz na consolidação de “uma ética que repõe os seres humanos e a natureza antes dos interesses econômicos”.

Inspirado pela obra de Sevcenko, o Lavoro decidiu organizar este III Seminário Internacional, cujo objetivo principal é reconhecer e criticar as realidades democrática, jurídica e laboral atuais. A reflexão que propomos está vinculada ao marco histórico nacional e internacional e ao compromisso de restabelecer a centralidade da dignidade das pessoas. Ante a impossibilidade de regressar ao contexto anterior, o desafio desta postura crítica está em ajustar o pensamento à nova conjuntura e, assim, ter condições de interagir eficazmente no presente e refletir sobre o futuro.

 
 
 

A programação do seminário compreende a realização de quatro painéis:

 
Reflexões sobre democracia e
trabalho em tempos de crise
O futuro do trabalho
que queremos
Negociação coletiva na
era das transnacionais
Constituições democráticas
como resistência
 
 
 
 
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